domingo, 6 de maio de 2012

Quebra Cabeça...


Queria ter a solução para todos os meus dilúvios internos.
Mas penso que ainda eu tivesse todas as respostas,
Algo, ainda sim me faltaria.
Porque nunca estamos completos.
Somos um quebra cabeça,
Que sempre falta uma peça.
A peça mais importante, a que dá sentido a imagem.
Peça essa que põe a perder todo o jogo,
Um simples espaço se torna um abismo, ai sim começa nossa corrida,
Pra começar a preencher as lacunas abertas,
O vazio imensurável.
Pois é inadmissível andar incompleto por ai.
Não importa o que você faça pra preencher os espaços.
Pode ser com amores inventados, presenças desagradáveis,
Planos secretos, falsos segredos,
Encontros casuais, paixões passageiras.
O importante é não deixar transparecer sua carência por lacunas preenchidas.
Porque o que você realmente sente fica a critério de como vai resolver a noite,
Sozinha com seu travesseiro.
 Ou no chuveiro quando fecha os olhos e deixa a água cair,
Como se ela pudesse levar todo e qualquer indícios de catástrofe futura.
 É meu bem, vivemos em um mundo de aparências.
E às vezes compactuamos e contribuímos para que as coisas permaneçam como estão.
E de quem é a culpa de tudo isso?
Transfere para a tal peça que falta.
Em meu quebra cabeças falta muitas peças.
Não me preocupei em olhar a imagem formada,
Cada peça adquirida ia colocando no tabuleiro,
Sem me preocupar com o que estava montando.
Assim nem me dei conta do que precisava,
Se estava ficando completa ou não.
Um belo dia, como por descuido,
Acidentalmente, me deparei com o meu quebra cabeça.
Resultado?
Estou me sentindo completamente incompleta.
Um vazio que nada preenche,
Que palavra nenhuma consola.
Que abraço nenhum acolhe.
Mas quando me perguntam,
A resposta é clara, objetiva e rápida:
_ Estou bem.
E de fato estou, tenho saúde,
 Tenho um emprego, projetos caminhando para realização.
Tenho amigos, e nada de serio a reclamar.
Olhando o contexto não há outra resposta que caiba a não ser está.
Porque não inventaram a opção de:
_ Estou bem, tirando as peças incompletas do meu quebra cabeça interno que me causa um vazio imenso, me faz perder noites de sono, e que ainda vai me leva a falência com as contas de água altíssimas que ando pagando, devido às longas horas embaixo do chuveiro, pois tenho a ilusão que a água pode leva pelo ralo essa sensação de vazio.
A loucura seria o próximo adjetivo delegado a mim.
O que há de se fazer,
Me sinto incompleta,
E ninguém pode fazer nada por mim,
Não há jornal que eu possa colocar anuncio,
Um ombro pra chorar de nada vai adiantar.
Esses é um daqueles casos que só eu posso me salvar.

domingo, 29 de abril de 2012

Face Oculta...




Meu corpo está doendo tanto.
Está tão cansado.
Minhas emoções estão fatigadas.
Os olhos quase se fecham pra mais uma noite de sono.
Olho mais uma vez o seu retrato.
E rio da minha inesgotável disposição de ter esperança em você.
Não esperança em nós,
Mas esperança que você abra a porta,
Puxe a cadeira e me fale sobre os traços de Miró,
Ou Museu Louvre.
Enquanto eu te ofereço um vinho ou um café?
Coisas distintas para pessoas distintas que somos.
E assim viramos a noite falando sobre qualquer coisa
Que não deixe espaço pra nenhum indicio de silêncio ou ausência de assunto
Sabe, No radio está tocando Milton Nascimento.
Ele é o único que me faz chorar em publico,
Talvez porque ele seja o único a conseguir penetrar no fundo da minha alma.
Faz-me lembrar de Santa Tereza, minha historia, tudo que vivi, tudo que ainda vou viver
E a todo momento me faz lembrar que os sonhos não envelhecem.
Sussurro com ele: “E lá se vai mais um dia”
E choro, sem vergonha, medo ou culpa.
De alma aberta, exposta pra quem quiser ver.
Em meio a isso, fiquei pensando porque não me mostro mais a você?
A resposta estava clara.
Acostumada a te mostrar as coisas mais belas que encontrava pelo caminho,
Fiquei com medo de lhe mostrar minha alma triste.
Não sou uma pessoa triste.
Há uma grande diferença entre corpo e alma,
Sou uma pessoa que carrega até uma felicidade fora do normal.
Mas minha alma é triste.
Talvez seja essa a beleza da contradição.
E eu tenho medo de lhe mostrar essa minha face oculta.

domingo, 22 de abril de 2012

Mayara...




AmoR, por favoR.
Estou em frente ao maR.
Vejo uma baRco a velejaR.
To que não posso nem piscaR
Tinha tudo pra ser lindo, mas tudo é amaRgo sem você.
Imagino você ao meu lado agora tomando soRvete
Para diminuiR o meu pesaR,
Em uma folha qualqueR escrevo esses versos.
Tentando rimar amoR com DoR.
Na minha caRteira tem uma foto sua.
Aquela que tiramos naquela rua cuRva.
Prometi te pegaR em casa na sexta feira,
E me dói peRceber que ainda é teRça.
Estava rindo sozinha quando lembrei
Daquele nosso poRco que foi moRto picado por uma seRpente.
Que você apelidou carinhosamente de Kah.
Tudo bem que o bichinho ja tava doente,
Mas você imaginava ele em seu futuro, sentado ao seu lado no pilotaR da carroça.
E ao saber da moRte Você veio correndo, pulou até a poRteira tamanho foi seu desespero.
Caiu na lama, quando te vi, jurava que em você tinha nascido baRba.
Não consegui me conter e ri.
E você disse que não achava ceRto riR da sua doR.
Lembro também quando você falava sobre a estrada peRpendicular paRtida ciRcular noRte.
 Lembranças peRfeitas da minha goRgonzola, como costumo te chamar.
Sonho no dia em que você virá.
Ouço até você abrindo a poRta me chamando pra pegar boRboletas,
Me ajudar a pendurar a coRtina, enquanto  na vitrola toca aquela música seRtaneja.
♫ NO RIOOOO DE PIRACICABAAAAA♫
 Ai eu passo aquele peRfume e nóis mata essa saRdade que nos mata.
PoR FavoR tira pelo menos aquela baRba.

“Estou sem palavras”


Você disse: “Estou sem palavras”                          
Leio e releio isso todos os dias.
Virou meu mantra, meu combustível diário.
O mesmo frio na medula, coração dispara,
As mãos tremem e sorriso reaparece como da primeira vez.
Sempre será assim, guardo comigo a imagem e a lembrança de tudo isso.
Das oito linhas por você redigidas, das quais releio diariamente,
Com total fidelidade e disposição, leio em silencio assim como sempre foi o meu amor.
Apenas uma parte faço questão de ler em tom audível.
“Estou sem palavras”
Imagino o seu tom de voz rouco e grave dizendo isso.
Após ler, sempre faço uma pausa de reflexão.
Que bom seria se eu pudesse tatuar essas linhas.
Que ironia eu diria, partindo do pré suposto que você soubesse do porque dos meus versos.
Se tiver algo pelo qual eu te culpo, é exatamente isso,
A razão dos meus versos, das minhas palavras.
À  você delego toda culpa da minha inspiração.
Você me deu as palavras, o verso, o tom.
E ao te presentear claramente com o melhor de mim,
Assim que você se refere: “Estou sem palavras”
Quem me deu as palavras, ao ser presenteada por elas,
Ficou sem palavras.
Por segundos roubei aquilo que me foi dado.
Eis a beleza da contradição.
Fecho os olhos, encho os pulmões de você.
Que dádiva poder te despertar a emoção.
 Uma retribuição do pouco do muito que me causou.
Meus versos foram seus, são seus,
E enquanto minha boca pronunciar algum som,
Minhas mãos redigir versos que você sussurra em meus ouvidos.
Eles sempre serão seus, por mais que eu não diga.
Por mais que eu me cale, por mais que eu não lhe presenteie com eles.
Meu destinatário é único, é signo de água, personificação dos meus versos.
É você.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

ADEUS...


“ADEUS” pronunciei essas palavras com um nó na garganta.
Era madrugada, fria e chuvosa eu sussurrava : ADEUS
Queria tornar essas palavras realidade.
Queria poder acreditar no que estava dizendo.
Pra falar a verdade, eu não queria nada disso.
Mas a estrada dos nossos caminhos tomaram certos rumos,
Que desconheço o inicio e o ponto de chegada.
Estava me despedindo do que outrora havia jurado que seria pra sempre.
Me despedindo do sentimento, ADEUS.
Sussurrava, chorava, abraçava o travesseiro, intercalando todas essas ações.
Como quem acena  um navio que está partindo,
Lenço nas mãos, cabelos ao vento, e muitas lagrimas,
Olhos no horizonte, azul do céu misturando com a imensidão do mar.
Prenúncios de um naufrágio?
Ilha prestes a ser submersa, cidade fantasma,
Talvez estava me sentindo assim.
Indícios do que foi prestes a deixar de ser.
Confuso?
Sim, a confusão faz parte desses tão controversos sentimentos.
Mas falava pausadamente: A-DEUS
Como quem perde a força.
Como que perde a fala.
Como quem perde o sentido.
Como quem perde o grito.
E já desfalecido, ao chão, encontra a FÉ.
A-DEUS.
Sentimento de desprezo, sensação de abandono.
A-DEUS, disse mais pausadamente ainda.
Talvez seja isso, encontrei a palavra exata.
O tempo perfeito, a pausa correta.
A-DEUS.
Talvez seja isso...
A origem e o porquê de tal despedida.
A-DEUS.
Entregar nas mãos de Deus aquilo que já não nos cabe mais.
Não jogar ao abandono.
É envolver no cuidado, na proteção.
É envolver na prece.
Entregar a Deus, e é isso que conforta.
Perceber que dar ADEUS não é virar as costas.
É entregar a DEUS é mostrar a porta do céu.
E restaurar o espaço causado pela falta.
Preencher com o alento da certeza que fez a escolha certa,
Que a entrega foi deixada em mãos certas.
Então... A-DEUS...AMÉM.

sábado, 14 de abril de 2012

Daquilo que apareceu, foi e partiu sem ser nada...


Não deu tempo nem de olhar pra trás.
O que ouve?
Já partiu.
Como quem estava ali por engano,
E ao se dar conta do equivoco se retira da cena principal.
Se fosse em um espetáculo, nem a plateia se daria conta.
O diretor procuraria no roteiro o porquê da tal saída repentina.
Um flash de luz, uma visão nada palpável.
O que foi isso?
Todos perguntam.
Todos murmuram.
Todos sussurram.
Um eclipse lunar no sol de meio dia.
Som de passos apressados na calçada,
Fuga em disparada de um desconhecido de rumo pro nada.
Tanto espanto?
Previsível, eu diria.
O desconhecido tem o seu encanto.
Da combustível a imaginação.
Como se a vida nos desse o controle remoto,
E você controlasse o ritmo da cena.
Como seria?
Algo desvia minha atenção.
Um violinista em meio ao estardalhaço da cidade
Tocando a 9ª sinfonia de Beethoven
O homem de rosto desconhecido.
De alma exposta em plena praça.
Em troca de moedas,
Que eram jogadas de forma ritmada.
Serenata da sobrevivência.
Trilha sonora, para fuga em disparada,
Daquilo que apareceu, foi e partiu sem ser nada.
E eu, expectadora da existência.

Cuidado Comigo...

Cuidado comigo.
Apresento certos riscos.
Quando nasci esqueceram-se de colocar certas placas de avisos.
Pois gosto de inventar...
Não sei se é por hobby ou por fatalidade.
Mas o imaginário me encanta.
Não invento objetos de utilidade publica.
Nesse ponto sou egoísta.
Invento para uso próprio e exclusivo.
Invento palavras,
Invento amores.
Invento canções.
E estou trabalhando um jeito de te inventar.
De tal forma que caiba perfeitamente na minha forma de amar,
Na minha oração.
No meu sujeito,
No meu verbo,
Na minha frase,
Na minha cidade.
No meu riso tão carente de abrigo.
Invento como te ter ao meu lado apenas não bastasse.
Lembra do tal gosto do perigo?
Que tanto pedi pra que você me mostrasse?
Pois então, Inventei um jeito de descobrir sozinha.
Comecei a inventar amores...
Conheci o risco de apaixonar pelas minhas invenções.
E dói tanto.
Invenções incompletas causam grandes danos.
Inventar amores sem inventar uma forma de “desamar”
É pedi pra chorar num quarto frio e escuro.
Descreveria então o perigo como um gosto doce no começo e amargo no final.
Que embriaga, mas logo em seguida vem à ressaca.
Cuidado comigo,
Apresento certos riscos.
Certos vícios.
Pra você e pra mim.