sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Além da Página 2...


Embarca nessa loucura comigo?
O sim veio sem pedir nem ao menos explicação.
Acredita nesse sonho comigo?
Quando vi, já estava torcendo.
É certo que vivemos em um mundo consumista,
Mas é tão raro encontrar alguém que compre sonhos alheios.
E ela compra, vive e compartilha.
É de uma sensibilidade sem tamanho que não tem medo de demonstrar.
Entrega-se ao ápice do mais puro sentimento.
Me ouve quando canto,e já imagina o além do contra ponto.
Lê meus versos, e vê além das entrelinhas.
É doce,
É sutil,
E ainda faz parte da minha vida.
É um dos anjos que sussurram aos ouvidos que os sonhos não envelhecem.
É mãe,
É irmã,
É filha.
E não tenho duvida da desenvoltura que exerce cada papel.
Foi falando de você que descobri,
Que não sei ser surpreendente quando falo das pessoas que mais amo.
Você me mostrou a obviedade dos meus versos,
E o mistério contido em cada vírgula.
Você me ensinou a confiar.
Me ensinou a sonhar,tendo os pés firmes ao chão,
Sem estar totalmente submersa a realidade.
Tem uma relação intima com Deus,
Tão intima que canta para ele.
E não duvido muito,
Que nas vezes que você canta,
Ele te acompanha no mesmo canto.
No mesmo sopro.
Na mesma nota.
No mesmo som.                              
Quando dispara o coração.
É generosa ao valorizar a arte do outro,
Sendo modesta com a sua.
É humana quando sente a dor de desconhecidos na rua,
É solidária a elas pedir nada em troca.
Seria impossível te definir,
Minha intenção não é essa,
Sua característica é doce,
É fácil de perceber,
É riso fácil,
É uma criança dormindo.
É um canto pra Deus.
É um anjo que sopra aos ouvidos
Que os sonhos não envelhecem,
Que o encanto da vida,
Pode estar “Além da Página 2”

Irmã de Alma...


Quando nasci,
Os astros...
O acaso...
Ou a conspiração do universo...
Não sei dizer...
Não foi generoso quanto ao tamanho da minha famíliar.
Tenho uma irmã,
Algumas tias e tios,
Alguns primos,
Levando em consideração que não tenho contato com todos,
O que diminui pela metade a quantidade de cadeiras em cada reunião de familiar.
Isso me fez sair pelo mundo preenchendo os espaços existentes
Causados por ter uma família pequena.
Ganhei o passe livre de escolher os laços eternos,
Que para mim vão além dos sanguíneos.
Foi quando a vida me deu mais uma irmã.
A descoberta desse mais novo parentesco não foi à primeira vista.
Foi com o que fortalece toda e qualquer relação:
“A convivência.”
Descobri que ganhei uma irmã.
Quando a “convivência” passou do riso,
Para o riso e o pranto,
Para o riso, o pranto, e o silêncio.
Para o riso, o pranto, o silêncio e tudo aquilo que a palavra não determina.
Descobri que ganhei uma irmã,
Quando a tristeza dessa amiga,
Significava a minha tristeza também.
Quando a lembrança dos nossos momentos,
Causa aquela dorzinha provocada pelo medo do fim.
Quando conto o meu maior segredo,
E não me arrependo depois.
Quando penso que vou ser questionada,
E ela simplesmente me entende.
Descobri que ganhei uma irmã,
Quando me dei conta que nem todas as palavras
Seria o suficiente pra declarar sua importância.
Quando me imagino ao longe,
E descarto a possibilidade da sua ausência.
Por quê?
Porque a vida me deu uma irmã de alma.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Novos Caminhos...

Degrau por degrau eu alcanço a mim mesma
Cada palavra cantada ,sofrida é forjada
Na minha certeza.
Degrau por degrau vou até o infinito.
Meu canto grave vai estilhaçar
Todos seus argumentos de vidro.
(Argumentos de Vidro - Isabella Taviani)

E nessa escada deixo pra trás minhas pegadas,
Coisas largadas, flores despetaladas,
Risos, bagagens,
Testemunhas oculares da minha passagem.
É tempo de mudanças.
É o que anunciou essas ultimas semanas.
Subi mais um degrau.
Virei mais uma pagina.
Deixei Para trás
Alguns dos meus melhores versos,
Minhas lagrimas mais sentidas,
Revelei certos segredos
Sorri pra tudo isso.
Despedir-me de certas partes de mim.
A bagagem estava pesada demais,
Tive que me libertar de certos pesos pra seguir caminhada.
Levo tudo na lembrança,
Boas lembranças em mim,
E boas lembranças na mente de quem ficou.
Um ciclo se fecha.
Uma nova porta se abre.
Nessa hora que Deus aparece.
Abri minhas janelas,
Deixei que escapasse meus maiores segredos.
E ganhei mais alguém pra confiar (mais).
Descobri que te amo mais,
De forma diferente.
Mais madura.
A arte criou uma ponte que une nossos extremos.
E suas palavras vieram em minha direção.
E como foi doce.
Vai dizer que nossas preces não alcançaram o céu?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Essa velha historia de você e eu...


Pode até parecer repetitivo demais essa velha historia de você e eu.
Pode até parecer loucura ver alguma historia entre você e eu.
Mas minha insanidade já foi mais que declarada e comprovada.
Certos fatos não adiantam nem negar.
Quando te conheci, te neguei cada vez que aparecia no meu pensamento.
Neguei por milhares de vezes em menos de um segundo.
Andei sempre na contramão do tempo.
O que há de se fazer?
Hoje a negação já não me apetece.
O tempo é tão curto para tanto “não” em fração de segundos.
Aprendi a querer o que está no alcance das minhas mãos.
E admirar o que apenas o olhar alcança.
Ter criatividade para imaginar o que eu não posso ver.
Garanto que você já passou por todas essas fases.
No sentido inverso de cada verso.
Te imaginei quando não podia te ver.
Admirei quando você estava distante,
No alcance apenas do meu olhar.
Hoje está no alcance das minhas mãos.
E de que adianta?
Tua arte é abstrata demais perto da minha.
Eu não conseguiria chamar sua atenção.
Meus versos não são imãs, que atraem seu olhar.
Sinto muito, mas foram feitos pra você.
Pertencem mas a você do que a mim que os escrevi.
Perdoe minha sensibilidade artística decadente.
Escrevo versos, atiro ao alvo, estando tão perto de mim,
Mas não acerto.
Você é a mira que nunca tive, não consigo te atingir em cheio,
Como pôde me acertar bem no peito?
Mas não faz mal, você me ensina com a arte do silêncio,
Arte tão bonita e nobre como essa não há.
Está me ensinando viver sem você.
Ensinando minha arte existir sem almejar um alvo.
Estou me apaixonando pelo vento,
Elemento que sei que existe, mas não vejo,
Não fala, apenas sopra ao meu ouvido,
Não se deita comigo, mas sinto sua presença.
Quase como você.
A diferença?
É que a arte dele não é tão abstrata,
Sendo assim um alvo mais fácil de acertar...
No meu quintal,construí um moinho.

...Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó...
(O Mundo é um Moinho - Cartola)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Quando eu era criança...


Quando eu era criança,
Tinha medo do escuro.
Tatear o desconhecido
Era temer o que eu poderia encontrar.
Sair do campo de visão dos adultos.
Era inadmissível...
Meu pai sempre dizia:
Liberdade demais não combina com pouca idade.
Nunca deixou que eu empinasse pipa,
Acho que ele temia que eu aprendesse a voar.
Pipa no ar era a clara personificação da liberdade,
Voar sendo preso por uma linha tênue na terra.
Era quase encontrar com Deus.
Nunca andei de bicicleta sem as duas mãos,
Tinha medo de perder o controle.
Nunca fiquei mais que três segundos debaixo d’água.
A pressão nos ouvidos me incomodava.
Nunca me enterrei por completo na areia,
Tinha uma alergia que não me permitia muito contato com o mundo.
Nunca dei uma gargalhada de madrugada.
Pois na calada da minha noite, o som não se propaga.
E no meio de todos esses medos, me apaixonei.
Sentimento de tanta doação,
Foi brotar em um mar de tanta privação, medo.
Criei um universo paralelo.
Comecei a brincar com palavras rimadas.
Inventar amores, sussurrar de madrugada o quanto te amava.
Gostei tanto disso.
Eis que acontece o que meu pai tanto temia...
Aprendi a voar.
Nas poucas vezes que te via, eu fugia.
Fugia de você porque no fundo queria fugir de mim.
Escrevia pra você, palavras rimadas que queria dizer pra mim.
E sempre exigi sua compreensão,
Mas minhas entrelinhas envolvidas por tanto mistério,
Era indecifrável, quase um dialeto próprio.
Mas o encanto de tudo isso,
Era a liberdade que sentia ao pensar em você.
Pois no pensamento não tinha medo de tatear o desconhecido,
Perder-me de vista,
Perder o controle,
Porque no pensamento é o único lugar que somos totalmente livres.
E era em pensamento que te encontrava todas as noites,
E me desvinculava dos meus medos
Porque quando eu era criança...
Gostava de inventar meus dias,
Brincar com as palavras,
E pensar nos meus amores.











...Não fique triste, menino
A linha é tão fácil de arranjar
Venha aqui, venha escolher
Papagaio de toda cor...
A casa estava escura
No vento forte a chuva desabou
A luz não vem, eu aqui estou
A rezar na escuridão e só...
Venho no vento da noite
Na luz do novo dia cantarei
Brilha o sol, brilha o luar
Brilha a vida de quem dançar...
(Maria Solidaria - Beto Guedes)


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Deixa-me entrar na sua vida?



Deixa-me entrar na sua vida?
Estou parada na sua porta,
Esperando você abrir.
Estou carregando o meu melhor sorriso.
Separei o meu melhor abraço.
Está tudo a um passo de acontecer.
O sinal para avançar?
É a sua boca dizer um sim.
Já está tudo previamente combinado.
Não tem como dar errado.
Você me oferece o que dispõe.
Que eu aceito sem nenhuma exigência.
Assim como ofereço o que trago comigo.
A cidade está em festa.
E eu nem entendo bem o porquê.
Sendo que a minha alegria dos últimos dias
Foi olhar pro lado e ver você
Quero ser seu ouvido,
Saber das suas historias,
Sua trajetória,
Não seria sacrifício dedicar meu tempo a você.
Você me fala do seu processo de criação.
Tua arte abstrata não seria difícil entender.
Que eu falo das minhas loucuras todas.
Do que acredito e defendo.
Compatibilidade entre nós há de ter.
Se quiser te mostro minhas músicas,
Meus versos, pois é lá que me perco em você.
Sem saber...
Mas essa é outra historia, pagina virada.
Meus amores inventados ficam pra outra hora.
Tenho paginas proibidas, não posso esquecer.
Estou aqui na sua porta.
Te dando todos os motivos pra me deixar entrar.
Basta simplesmente você olhar.

...Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida
Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...
(Vambora - Adriana Calcanhotto)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Carta sobre o tempo...


Sinto que vida é uma grande estrada.
Com algumas curvas, buracos.
Falsas placas, areias movediças,
Campos de flores, risos fáceis,
Aos sons de sax e flautas transversais.
E no decorrer de tudo isso,
Os pés vão ficando cansados,
As afeições ganham os traços do tempo,
As costas se curvam com o passar dos anos.
E no fim dessa estrada sempre há uma criança a nossa espera.
Aguardando-nos para que assim possa iniciar sua caminhada.
É nessa hora que a pegamos no colo,
Embalamos nos braços tão cansados,
Braços que deram tantos abraços.
Servem de porto para ensinamentos,
Adquiridos nessa tortuosa estrada.
Então a pego no colo,
E falo sobre o novo lar que a espera:
Atravessei toda essa estrada, na condição de mero aprendiz,
Pra chegar à reta final e te ensinar sobre tudo que vivi,
Para que assim, talvez, você tenha uma trajetória mais leve que a minha.
E no final do seu percurso passar esse conhecimento para outra criança,
E assim segue o ciclo.
Pois bem, lhe digo:
De tudo que aprendi,
De tudo que eu vi e vivi, lhe digo que nada sei.
Isso mesmo, nada sei, e a vida é isso.
É não saber e mesmo assim ter gosto de viver.
Mas existem quatro coisas que me deparei nesse percurso,
E acredito que foi essencial nessa trajetória.
O amor...
A morte...
Solidão...
E o tempo...
O AMOR... A única exigência que lhe faço:
AME! da forma mais visceral, passional,
Que esse pequeno coração puder,
Ame sem culpa,
Pois esse sentimento que lhe dará força para seguir em frente,
Ele transforma tudo, ele faz nascer uma luz dentro de si,
Que ilumina os caminhos mais escuros.
É certo que na sua caminhada você irá se deparar com buracos
Que colocará seu amor à prova,
Buracos esses que sei de cor, poderia te passar o mapa desse campo minado,
Mas esse é outro segredo, o amor precisa ser colocado à prova,
Só assim ele ficará forte, ganha valor, fica mais bonito.
A MORTE, palavra triste não é mesmo?
Você terá que aprender olhar pra ela,
O trabalho dela é levar as coisas.
 Fechar certos ciclos,
É ai que habita a tristeza nela, às vezes perder não é fácil,
Dói, porque faz nascer em nós uma dorzinha aguda,
Que um dia alguém deu o nome de saudade,
Saudade de alguém que se foi, de um momento que passou,
De um sentimento que nasceu, mas morreu.
SOLIDÃO, um dia Rainer M. Rilke, um poeta,
É assim que chamamos as pessoas que brincam com as palavras.
Disse que
“Na medida que estamos sós, o amor e a morte tocam – se”
Concordo com ele ,a solidão as vezes une os extremos,
Que acreditávamos ser inabitáveis no mesmo espaço.
Ficar sozinho as vezes é bom,para colocar as coisas no lugar,
Mas não estique demais o seu tempo de solidão,
Pois um outro poeta chamado Tom Jobim uma vez disse:
“É impossível ser feliz sozinho”
Observação: Sempre escute os poetas.
E o TEMPO, ele é sempre tão curto,
Uma vez ouvi isso de um velhinho de 103 anos.
Todo tempo do mundo,nunca é sufuciente
Quando se tem um mundo inteiro a desbravar.
Então,viva,ame,morra as vezes,fique sozinho,renasça,
E aproveite seu tempo,cada minuto,
Porque dessa vida não se leva nada.
Nem ao menos o conhecimento.
Porque viver é não saber,
Não saber as regras, os atalhos,as respostas,
O caminho,mas mesmo assim ter gosto de viver.
A ponto de ouvir um velhinho de 103 anos
Dizer que o tempo é curto...
E concordar que ele tem razão.

...Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
(Oração Ao Tempo - Cartano Veloso)